Uma sociedade hedonista e consumista, cada vez mais vazia de valores poderá propiciar a busca insaciável por um prazer que se perdeu ou que não se obteve através do estabelecimento da relação, o vazio é então preenchido pela “droga”. Essa droga pode ser entendida aqui como um objecto ou um comportamento/actividade.
O comportamento adictivo numa pessoa é caracterizado pelo excesso e descontrole das suas acções, onde o investimento é apenas direccionado a algo ou alguém.
As duas principais formas de adicção são:
- Adicção a substâncias psicoactivas – lícitas (álcool, tabaco, medicamentos como os ansiolíticos, anti-depressivos, etc.) e ilícitas (cocaína, heroína, haxixe etc.);
- Adicção a actividades e comportamentos – busca e permanência em relações disruptivas, jogo compulsivo, sexo e pornografia, internet, trabalho, exercício físico, compras, perturbações do comportamento alimentar como a anorexia, bulimia e voracidade alimentar etc.
A questão central das adicções está no vazio emocional que as pessoas buscam preencher de forma compulsiva.
Tendemos a culpabilizar o objecto, mas na realidade o problema está na pessoa e no seu comportamento descontrolado. Quantas vezes não ouvimos de pessoas próximas, frases como: “As pessoas dizem-me que estou a perder o controle quando bebo...”, “Não percebem que tenho que utilizar o computador para trabalhar!”, “Não sou um viciado!”, “As pessoas não entendem qual é a sensação de ganhar!”
Constatou-se que a doença das adicções é entendida como uma doença das relações, a relação consigo próprio, a relação com os outros, com o tempo.
O descontrole é que dá a indicação de uma doença, a compulsão e a falta de controle caracterizam a doença da adicção, assim como a diminuição do investimento em tudo o que é saudável. Quando há um descréscimo do que é saudável, dá-se o aumento do que é doente e consequentemente: A perda de valores e da espiritualidade.
Diariamente experienciamos diferentes formas e intensidades do sentimento de prazer, o que não significa que soframos de alguma psicopatologia. Quando podemos saber se esta relação/objecto está a tornar-se numa doença:
- As relações (família, profissão, etc.) são prejudicadas em detrimento do objecto/comportamento;
- Quando existem gastos compulsivos e comportamentos de risco (consumos consecutivos de substâncias lícitas ou ilícitas, sexo com estranhos e sem protecção, etc.);
- Quando o isolamento emocional, a vergonha e o desespero, estão demasiado presentes para um pedido de ajuda.
Onde buscar ajuda para a recuperação:
- Em centros licenciados ou clínicas especializadas para o tratamento das adicções;
- Nas psicoterapias de grupo ou individuais, há várias abordagens bem sucedidas em tratar este vazio ou descontrole emocional que caracteriza a doença das adicções;
- Por último, é importante clarificar que um dos factores que diferencia a doença das adicções de outras, é que primeiro adoece a mente e depois o corpo, mas não se trata de uma doença crónica; com ajuda especializada, a cura poderá residir na força interior da própria pessoa para ultrapassá-la.
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