Impossibilidade da Não Comunicação
O adulto ensina falando e a criança descobre que o ato e a palavra vem juntos, e vários autores concordam que “aquilo que exatamente se diz” adquire enorme importância para a criança, passando a ter, desde muito cedo, um “sistema de crenças”, altamente complexo, que irá regular muitas atitudes futuras ou contribuir para a evitação de situações que poderia constrangê-la. Essas crenças dizem respeito à imagem do próprio eu, ou seja, do como se é: corajoso ou covarde, esperto ou “bobo”, muito amado ou tolerado.
Na relação humana não existe a linguagem linear – aquela que tem por objetivo um significado estável, sem distorções, ambigüidade ou emoção, ou seja aquela que não depende do contexto não-linguístico, com separação entre significado e emoção. É, portanto, “impossível para o ser humano não se comunicar de alguma forma, mesmo sem o uso da palavra ou da escrita”, como afirma Paul Watzlawick no livro Pragmática da Comunicação Humana.
Gregory Bateson define a psicologia social como: “O estudo das relações dos indivíduos às reações de outros indivíduos. Temos que considerar não só as reações de A ao comportamento de B, mas também de que modo elas afetam o comportamento posterior de B e o efeito disso sobre A”
O desenvolvimento psicológico ocorre paralelamente ao processo de crescimento físico e social que acompanha o ser humano, desde o seu nascimento até a sua morte, com todas as adaptações possíveis, com sua história pessoal, os dados biopsicológicos herdados, as idiossincrasias de seu meio familiar, suas condições ambientais, sociais e culturais, os dados adquiridos na interação hereditariedade-meio, as características e condições de funcionamento do indivíduo nessa interação, possibilitando adaptações e mudanças em situações futuras.
A família proporciona a primeira imagem de sociedade (e sociabilidade), no contexto de sua sub cultura específica, e será o padrão de relação que a criança encontrar o que servirá como um primeiro, mas poderoso, vislumbre das possibilidades de interação entre pessoas. Todos os membros de uma família são influenciados por seus padrões (ou leis familiares), que por sua vez sofrerão influências das “agências de sociabilização” (escola, parque, creche, vizinhos, etc) e, em contra partida, trarão esses padrões para dentro de casa, alterando o comportamento familiar, desenvolvendo novos papéis, alterando alguns valores aprendido de seus pais. Quando isso não ocorre haverá grandes choques nas relações, que poderão interferir no desenvolvimento psicológico de seus membros.
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